Fim de férias
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Nem tinha me dado conta há quanto tempo não escrevia aqui até entrar hoje... mais de mês!!Tenho corrido muito agora que aceitei aquele emprego (sim, é verdade, eu aceitei...). Mas não é desculpa, é um pouco de relaxo. Bem, mas hoje resolvi voltar, mas não só hoje, voltar a escrever mais regularmente.
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Eu odeio esse nome, essa tradução para o português da expressão "Chiklit". Mulherzinha, pra mim, sempre foi um termo pejorativo, do tipo "aquela mulherzinha infame". E acho que esse gênero de literatura, voltado para a realidade feminina atual, fica parecendo literatura de segunda classe quando é chamado de "livros de mulherzinha", ou "literatura de mulherzinha". Um horror, em resumo. Uma tradução melhorzinha poderia ser "livros de garotas" (chik = garotas, e não mulherzinhas...)
Eu já tinha pensado nisso quando li os primeiros livros do gênero. Concordo que, se ficar nessa fórmula, corre-se o risco de virar mais um estereótipo da mulher "moderna": a garota desmiolada, que trabalha fora, mas na verdade é uma perdida incompetente que tem uns lances de sorte baseados na emoção e na intuição, conhece um bom partid, a versão moderna do "príncipe encantado" que se apaixona por ela nem sei como nem porque, e vive feliz para sempre. Estilo Cinderela reciclado. Não dá pra deixar de notar."Eu estava lendo o livro Quando em Roma de Gemma Townley e me chamou a atenção uma coisa: por que nesses livros de mulherzinha, as mulheres são sempre péssimas profissionais?fonte:..::Faxina Mental::.. por Thaty Viana (arquivos 01.06.2005)
Nesse caso, a personagem trabalha numa editora de livros de auditoria, não entende nada de nada, vive só lendo e-mails particulares, se atrasa na entrega de trabalhos, copia o traabalho dos outros e ainda faz tudo errado.
Em Bridget Jones, a mesma coisa: na editora ela era uma porta. Como jornalista, patética. E não fazia nada para melhorar, para parar de ser vista como uma idiota.
A Becky Bloom se saiu um pouco melhor. Como jornalista econômica ela copiava do releases, não entendia nada do que estava fazendo. Depois passou a aconselhar as pessoas sobre o seu dinheiro... uma completa fraude. Só se deu bem quando passou a ser consultora de compras.
No O Segredo de Emma Corrigan, o mesmo padrão se repete: a personagem, como assistente de marketing, só faz besteira. Mas como ela namora o chefe, quem se importa?
E o mais estranho é que em todos os casos, elas desvendam algum problema seja no trabalho delas ou dos namorados e salvam o dia! E desvendam só usando a intuição, nunca a inteligência... sempre tem outro personagem que com a ajuda delas, resolve as situações...
É no mínimo esquisita a mensagem que isso passa... no fundo essas personagens não querem ser produtivas, independentes... querem é arranjar um marido. No fundo, o trabalho é alguma coisa que elas fazem (mal e porcamente) até encontrarem seu príncipe. No fundo, essas mulheres não tem uma inteligêcia racional, são incapazes de pensar e entender coisas nem tão complexas assim, só utilizam a sensibilidade e a intuição. No fundo a emoção (o fato de estar a fim de algum cara) faz com que elas fiquem tão cegas que não consigam pensar em nada, nem em suas vidas, nem em suas carreiras, nem em sua satissfação pessoal.
Eu não acho que isso retrate a realidade.
Eu tenho vários livros desses, vivo emprestando para minhas amigas... são divertidos. Mas qualquer produto cultural retrata uma tendência da sociedade, retrata uma visão de mundo. Se vc quiser ficar só na diversão, ótimo. Mas se quiser ir um pouco mais fundo, pode encontrar algo para pensar... A maneira como as mulheres são retratadas nesses e outros livros dá até assunto para uma tese de mestrado..."
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Ontem recebi uma oferta de emprego. Meio pro irrecusável. Eu dei uma aula na Faculdade do ABC há algumas semanas, a convite do Giba (o maridão). Parece que o pessoal gostou bastante, e acabaram sugerindo meu nome pra montar o ambulatório de Obesidade do Hospital de lá. Talvez não só o Ambulatório, mas coordenar o serviço Obesidade/Diabetes deles. Trocando em miúdos, tudo o que eu sempre quis: a chance de voltar à vida acadêmica num novo espaço, fazer o doutorado, fazer trabalhos científicos, ter material pra levar pra Congresso... Sensacional, né? Ainda mais um convite assim, sem eu ter procurado, sem ter pedido, nem ido atrás...
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Eu já tinha pensado nisso quando li os primeiros livros do gênero. Concordo que, se ficar nessa fórmula, corre-se o risco de virar mais um estereótipo da mulher "moderna": a garota desmiolada, que trabalha fora, mas na verdade é uma perdida incompetente que tem uns lances de sorte baseados na emoção e na intuição, conhece um bom partid, a versão moderna do "príncipe encantado" que se apaixona por ela nem sei como nem porque, e vive feliz para sempre. Estilo Cinderela reciclado. Não dá pra deixar de notar."Eu estava lendo o livro Quando em Roma de Gemma Townley e me chamou a atenção uma coisa: por que nesses livros de mulherzinha, as mulheres são sempre péssimas profissionais?fonte:..::Faxina Mental::.. por Thaty Viana (arquivos 01.06.2005)
Nesse caso, a personagem trabalha numa editora de livros de auditoria, não entende nada de nada, vive só lendo e-mails particulares, se atrasa na entrega de trabalhos, copia o traabalho dos outros e ainda faz tudo errado.
Em Bridget Jones, a mesma coisa: na editora ela era uma porta. Como jornalista, patética. E não fazia nada para melhorar, para parar de ser vista como uma idiota.
A Becky Bloom se saiu um pouco melhor. Como jornalista econômica ela copiava do releases, não entendia nada do que estava fazendo. Depois passou a aconselhar as pessoas sobre o seu dinheiro... uma completa fraude. Só se deu bem quando passou a ser consultora de compras.
No O Segredo de Emma Corrigan, o mesmo padrão se repete: a personagem, como assistente de marketing, só faz besteira. Mas como ela namora o chefe, quem se importa?
E o mais estranho é que em todos os casos, elas desvendam algum problema seja no trabalho delas ou dos namorados e salvam o dia! E desvendam só usando a intuição, nunca a inteligência... sempre tem outro personagem que com a ajuda delas, resolve as situações...
É no mínimo esquisita a mensagem que isso passa... no fundo essas personagens não querem ser produtivas, independentes... querem é arranjar um marido. No fundo, o trabalho é alguma coisa que elas fazem (mal e porcamente) até encontrarem seu príncipe. No fundo, essas mulheres não tem uma inteligêcia racional, são incapazes de pensar e entender coisas nem tão complexas assim, só utilizam a sensibilidade e a intuição. No fundo a emoção (o fato de estar a fim de algum cara) faz com que elas fiquem tão cegas que não consigam pensar em nada, nem em suas vidas, nem em suas carreiras, nem em sua satissfação pessoal.
Eu não acho que isso retrate a realidade.
Eu tenho vários livros desses, vivo emprestando para minhas amigas... são divertidos. Mas qualquer produto cultural retrata uma tendência da sociedade, retrata uma visão de mundo. Se vc quiser ficar só na diversão, ótimo. Mas se quiser ir um pouco mais fundo, pode encontrar algo para pensar... A maneira como as mulheres são retratadas nesses e outros livros dá até assunto para uma tese de mestrado..."